Cravejar diamantes num mostrador sem arruiná-lo
Cravejar pedras num mostrador quase nada tem a ver com cravejá-las num anel. O aro de um anel oferece profundidade com que trabalhar. Um mostrador é uma placa fina que precisa permanecer perfeitamente plana, não pode se deformar e tem de deixar folga para ponteiros que passam a uma fração de milímetro acima. Todas as decisões decorrem dessas restrições.
A altura da pedra governa o trabalho. Os ponteiros varrem muito perto da superfície do mostrador, e uma pedra que se projete ainda que pouco vai enroscá-los. Por isso o berço é cortado para dentro da placa, e a pedra se aloja nele em vez de se apoiar sobre ele. Isso significa que a profundidade disponível na placa determina a pedra máxima que se pode usar — não o seu orçamento nem o visual que você tinha em mente. Num mostrador fino, uma pedra menor e bem assentada é a única resposta correta, e quem lhe disser o contrário pretende lhe entregar um relógio cujos ponteiros raspam.
Os berços são cortados, não furados. Cada assento é fresado para receber uma pedra específica, porque pedras naturais variam e um assento cortado numa medida nominal deixará algumas soltas e outras salientes. As pedras são pareadas e designadas a posições antes de qualquer corte, e voltam aos mesmos assentos para os quais foram ajustadas.
A planicidade é a preocupação constante. Cortar uma dúzia de assentos numa placa fina retira material de forma desigual e a placa tende a se mover. O trabalho é feito em etapas, alternando ao redor do mostrador em vez de avançar em sequência, para que a tensão seja aliviada simetricamente. Um mostrador que empenou alguns centésimos não assentará direito sobre os pés, e o defeito aparece como um mostrador sutilmente inclinado sob o cristal — uma falha invisível na bancada e evidente no pulso.
A última consideração é o que acontece na manutenção. Um mostrador cravejado deve ser manuseado menos, não mais. Avise quem fizer a manutenção do relógio de que o mostrador é cravejado, para que seja removido pelos pés e nunca alavancado, e para que fique longe da limpeza por ultrassom. A maior parte dos danos que vemos em mostradores já cravejados aconteceu durante uma manutenção de rotina, feita por alguém que não foi avisado.
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